Não é um segredo que o YouTube é uma terra fértil para jovens empreendedores. Mas o que é enigmático é a possiblidade de usuários específicos que são capazes de comandar e conquistar portais digitais para atrair milhões de visualizações, comentários, curtidas – e amor.

As plataformas sociais virtuais têm simultaneamente democratizado indústrias que uma vez eram inacessíveis, elitista e principalmente casuais. A mídia social tem dado poder de volta para as pessoas; aqueles com talento podem ter suas vozes ouvidas e esforços recompensados.

Troye Sivan de 19 anos é um desses conquistadores sociais. A maior definição de uma sensação do YouTube, o vlogger, cantor e ator tem 3,2 milhões de seguidores e seu canal é o segundo mais inscrito da Austrália.

No verão passado Troye lançou seu primeiro EP, TRXYE, sua música Happy Little Pill apareceu nas paradas Top 10 pelo mundo. Como ator, ele alcançou os telões interpretando o jovem Wolverine em X-Men Origens: Wolverine em 2009 e ganhou o papel principal nos filmes populares de Spud, onde ele trabalhou ao lado de John Cleese.

Visualizações alcançam os 10 milhões, comentários inundam e o conteúdo é compartilhado pelo mundo inteiro. Mas disparadas de números de lado, os que irão continuar são os que firmemente progredirão porque possuem talento.

Lewis Firth: Então o que você tem feito ultimamente? Eu sei que nós tivemos que reagendar já que você teve ensaios de último minuto…

Troye Sivan:  Eu cheguei em LA cerca de duas semanas atrás. Eu não canto ao vivo há um longo tempo. Não minha própria música, de qualquer jeito.  Eu costumava cantar muito com instrumentais horríveis no YouTube. Eu estou ensaiando com a banda e apenas ficando familiar em estar no palco e tendo outras coisas técnicas medidas e testadas. Eu estou neste período estranho de crescimento de ficar pronto para me apresentar no palco sem me mijar.

LF: Então todos desses ensaios, eu presumo que é para a nova música que você planeja lançar este ano?

TS: Sim. Eu vou para o estúdio de manhã e depois ensaio de tarde. São todas músicas novas, na verdade. Uma das músicas que eu estou ensaiando atualmente eu apenas escrevi tipo, uma semana e meia atrás. Isso é muito animador.

LF: Então tudo isso continua muito fresco, né?

TS: Sim, alguns dos conteúdos já estavam na fila por um tempo. Eu vou cantar algumas músicas de TRXYE, mas a maioria das coisas serão novas.

LF: Quando você disse ensaiando, eu presumei que você tenha gravado isso um pouco antes, e apenas agora você está começando a ensaiar para eventos ao vivo.

TS: Isso é provavelmente como deveria ser mas eu estou apenas um pouquinho para trás, eu acho.

LF: Isso não é algo ruim. Isso significa que está fresco em sua mente quando vai ensaiá-lo, certo?

TS: Isso está mudando como eu vejo a minha própria música.  Há algumas músicas que eu escrevi para TRXYE que eu senti, naquele momento, que eu não conseguia deixar no nível que eu queria que ficassem. Agora eu tive mais tempo para arrumá-las. O processo tem me dado uma perspectiva nova sobre tudo isso. Eu estou interessado para ver com o público reagirá.

LF: O público já te conhece muito bem, e isso é principalmente por causa de sua presença no YouTube. A mídia social teve um grande papel em seu crescimento como músico, então como tudo isso começou?

TS: Eu cantei por toda minha vida. Quando tinha oito anos eu cantei nesses tipos de eventos corporativos, como noites de gala, coisas assim. Eu estava doente em casa um dia e encontrei este site chamado YouTube e decidi postar um vídeo. Isso fez um completo sentido que pessoas podiam reagir e dar feedback imediatamente. Tem sido assim desde o primeiro dia e eu estou acostumado com isso. A partir daí, isso significou abrir mão um pouco da minha vida e fazer vídeos ocasionalmente. Eu fazia vídeo tipo a cada seis meses por alguns anos. Depois minha voz começou a mudar e eu perdi toda minha confiança. Com sorte, naquele momento, um empresário de atuação me encontrou e disse que não poderia me prometer nenhum trabalho em relação à minha música mas ele poderia me enviar para atuar.  Eu nunca havia tentado isso, mas eu disse com certeza. Foi assim que eu me apaixonei por atuação.

LF: Que papeis surgiram disso?

TS: A primeira audição que tive foi para X-Men Origens: Wolverine. Eu ganhei o papel como jovem Wolverine.

LF: Porra, começando do lugar mais difícil então.

TS: [risos] Sim! Depois eu fiz os filmes de Spud – três deles. Foi uma distração maravilhosa da minha voz que não soava como costumava. Isso me deu tempo para me acostumar com ela. Eu apenas reaprendi tudo que eu sabia anteriormente. Isso começou a ser um hobby de novo. Mesmo que não estava me apresentando publicamente e tal, eu apenas voltei para as raízes e percebi que poderia continuar a escrever e fazer minha própria música. Eu encontrei Amy Winehouse e isso mudou minha vida quando notei que ela escreveu todas suas músicas sozinha e isso era como terapia para ela. Isso me inspirou a fazer mais música, a qual eu fiz em casa. Depois eu fiz uma música baseada no livro de John Green chamado A Culpa é das Estrelas, e ela acabou sendo a música que minha gravadora encontrou e foi o que me fez assinar. Pelo caminho, eu comecei a visionar as músicas em minha cabeça, e esse foi um grande momento para mim.

LF: Nós somos uma geração transicional em qual nós vivemos pela falta e presença de mídia social. Isso tem democratizado as indústrias criativas. Você acha que isso é um pouco de mais, como tudo mudou subitamente?

TS: Eu ia dizer exatamente a mesma coisa que você disse: isso tem tornado a música em uma democracia. Isso tem colocado as pessoas no controle do que elas gostam e do que elas não gostam.  Isso é uma coisa tão animante. Eu fiz meu Twitter quando tinha quatorze ou quinze anos, então eu não me lembro muito de como era não ter Twitter. Eu acho que isso é absolutamente louco. Ser um artista que tem explorado isso e ser encontrado dessa maneira é algo que eu tenho muito orgulho. Eu acho que existe um estigma ligado ao YouTube e aos YouTubers, dizendo que há uma falta de qualidade. Isso é um ótimo jeito para artistas serem encontrados quando se conectam com as pessoas.

LF: Você usa o YouTube como uma maneira de se conectar com seus fãs para ganhar feedback?

TS: Depende. Eu costumo ganhar feedback em muitas coisas já que eu posto muito online. Esse feedback é absolutamente incalculável. Mas eu acho que há momentos quando estou um pouco cauteloso sobre alguma coisa, e eu não quero que isso bagunce minha visão. Eu aprecio o processo de reservadamente fazer a música e depois lançar uma vez que acho, em meus olhos, que está em sua perfeita forma. Imogen Heap, para seu álbum Eclipse, fez vlogs dela fazendo a música. Ela falava tipo assim, “Bom dia pessoal, hoje eu estou fazendo essa música e eu mudei o som sutilmente,” e depois ela postava-o naquela noite e algumas pessoas pediam para ela continuar ou mudar para como era. Todo os fãs dela estavam dentro do processo inteiro.

LF: Uau, isso é coragem.

TS: Eu não sou corajoso o suficiente para fazer isso, mas eu acho que é muito legal manter essa conversação aberta. Eu não acho que estou no ponto onde eu poderia fazer algo assim ainda; eu ficaria muito distraído.

LF: Eu acho que é muito difícil para alguém como você não ficar distraído pelos comentários já que você possui milhões de seguidores. Eu acho que em qualquer indústria criativa, para manter esse sistema auto exploratório de criatividade é quase impossível nesta era em que você está sendo constantemente bombardeado por opiniões e conteúdo.

TS: Sim, mas por outro lado, você pode ver arte de todo o mundo que você anteriormente não teria acesso.  Como qualquer coisa, eu acho que há positivos e negativos. Eu acho que somos tão sortudos de estarmos vivos neste momento vivendo por esta era digital e assistindo-a se revelar.

 LF: Mas você acha que a era digital tem seus negativos? Muitas pessoas, principalmente de uma geração mais velha, discutem que isso faz as crianças menos sociáveis e mais solitárias. Quer dizer, se alguém é introvertido então ele será introvertido sem um celular ou com, certo?

TS: Eu tento não usar meu celular na janta e coisas assim, mas há aspectos bons e ruins para todas as coisas. Essa criança introvertida, que não está conversando com as pessoas em uma festa, pode estar conversando com um novo amigo do outro lado do mundo pelo Twitter. Nossos avós e pais nunca poderiam pensar em fazer isso em sua época. Isso é super social, ultra social, nós estamos conversando com os outros toda hora. Ter um equilíbrio entre o mundo real e mídia social é muito importante. Eu acho que será uma dificuldade para muitas pessoas mas eu não acho que é algo ruim colocar certos limites. Tipo, olhe para a discussão do vestido azul e preto, branco e dourado na mídia social que aconteceu recentemente. Isso foi uma piada interna que o mundo inteiro compartilhou com outros. Essa conexão global e senso global de comunidade nunca houve antes da mídia social.

LF: Em termos desta comunidade global que você está falando, isso te torna ansioso antes de postar algum conteúdo?

TS: Não muito. Eu senti que estava postando para ninguém. Eu estava postando e depois algumas centenas de pessoas assistiram e algumas se inscreveram. Mas depois eu estava postando para pessoas que gostavam de mim. Se eles não gostassem disso, então eles não se inscreveriam, certo? Em geral eu me sinto muito sortudo de ter uma comunidade positiva que está respondendo a mim.

LF: Você tem uma grande comunidade de seguidores, então isso é obtido por autopromoção?

TS: Isso foi bem gradual. Isso aconteceu pelos últimos sete anos ou quase isso.

LF: Sete anos é um longo tempo.

TS: Sim, isso não aconteceu da noite para o dia ou coisa assim. Eu não tive um vídeo que ficou viral e tal.

LF: Eu acho que a segunda levada de YouTubers ficam frustrados e desistem muito mais fácil já que eles esperam fama imediata; isso não acontece desse jeito.

TS: Se você começa pelas razões certas – essas razões sendo que você ama o que faz e você quer compartilhá-lo – então você prevalecerá. Se você está tentando ser “Famoso do YouTube”, então isso não dará certo.