O rapper Kevin Abstract, da banda Brockhampton, entrevistou Troye Sivan para uma nova matéria do portal Hypebeast.

Confira o photoshoot exclusivo da matéria e a entrevista logo abaixo.

HYPEBEAST BY QUIL LEMONS

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Kevin Abstract: Oi, Troye Sivan.

Troye Sivan: Oi, como vai?

KA: Você já mentiu em uma entrevista?

TS: Sim, com certeza.

KA: Tipo o quê?

TS: Bom, quer dizer, algumas vezes as pessoas perguntam coisas invasivas. Então, eu não minto normalmente, mas eu definitivamente me esquivo de algumas perguntas. E eu já menti no passado. Quando eu comecei a namorar Jacob Bixenman eu não queria que todos soubessem.

KA: Qual foi um dos motivos de você querer ter mantido isso privado?

TS: Eu acho que em geral sou uma pessoa bem privada. Eu me sinto confortável com privacidade. Mas, ao mesmo tempo eu sou jovem e estou descobrindo as coisas. Quando você começa a namorar alguém é tudo tão novo que você mal conhece a outra pessoa. E então, de repente, se for algo que todo mundo sabe, fica muita pressão no relacionamento e pode fazer as coisas ficarem um pouco estranhas. Então eu só quis deixar as coisas fluírem naturalmente.

KA: Sim. Isso faz sentido. Você já pensou em fazer rap?

TS: Não (risos). Eu não acho que conseguiria fazer isso. Eu prefiro fazer uma música com você e te deixar com essa parte.

KA: Isso seria legal, ou eu canto e você faz o rap. Só para fazer algo diferente.

TS: Isso seria bizarro, mas divertido.

KA: O que está te inspirando no momento? Pode ser qualquer coisa.

Estou muito inspirado em como a indústria musical se tornou fluída. Apesar de eu ter surgido da internet e de uma maneira nova, eu acho que lancei meus projetos de maneira bem tradicional. Eu estou ansioso pra quando esse álbum sair e apenas tacar um “foda-se”.
Eu vou lançar o que eu quiser, qualquer coisa que me inspirar, quando for inspirador para mim e meio que voltar às raízes um pouco daquele jeito sem me importar tanto com estruturas de lançamento e tal.

KA: Isso é incrível. Você lê críticas?

TS: Eu tento ler apenas as boas, o que é uma merda. Mas se algo for muito bom, alguém irá me mandar e eu vou ler. Mas eu não me busco no Google ou coisa assim.

KA: Você já leu um comentário maldoso e de alguma forma isso afetou uma decisão artística ou criativa que tenha feito?

TS: Tenho certeza que me afetou, mas eu não deixo isso afetar meu processo. Eu sigo em frente e faço mesmo assim, mas isso não significa que seja fácil. Eu definitivamente vou ficar com o comentário na minha cabeça enquanto estiver fazendo algo e vou ficar chateado por um segundo, e talvez eu tente pensar em um jeito de me esforçar em fazer algo melhor ou em fazer com que aquele comentário não seja verdade.

KA: Você acha que Bloom é melhor que Blue Neighbourhood?

TS: Sim, acho. Eu acho que as letras são melhores. Eu acho que a produção é melhor. Eu acho que há mais perspectiva, sabe? Tipo, eu me esforcei demais como escritor desta vez. O que mais me deixava animado era ir ao estúdio e brincar um pouco, eu não acho que tive a confiança para fazer isso da última vez.
Quando comecei a ir ao estúdio pela primeira vez, eu mal conhecia minha voz. Quando eu fui para fazer o segundo álbum, eu sabia com quem queria trabalhar, eu acho que sabia bem mais quem eu era. Eu sabia como minha voz funcionava. Apenas me permiti explorar. Acho que isso pessoalmente valeu a pena. Eu me senti muito realizado e animado com a música que estava fazendo.

KA: Já pensou em desistir?

TS: Sim. Eu não penso em desistir completamente. Eu vou fazer música para sempre. Mesmo que faça sozinho em meu quarto, a música sempre fará parte da minha vida. Posso dizer isso sem nenhuma dúvida. Às vezes tudo relacionado a música pode ser estressante ou exaustivo, ou pode te fazer duvidar de si mesmo, e essa é uma sensação desagradável.

KA: Você já foi para o Havaí?

TS: Sim. Eu fui uns anos atrás para Honolulu.

KA: Certo. Foi para lá que eu fui quando pensei em desistir. Acho que foi por isso que te perguntei aquilo.

TS: Espera. Por que você pensou em desistir?

KA: Eu acho que teve muito a ver com a percepção do público e de pessoas apenas querendo que você se torne uma certa versão de si mesmo a todo momento, e de sentir que não dá para alcançar isso. Então eu fiquei assustado, acho, e só queria ficar longe de tudo. Eu pude focar nas coisas que importavam e voltar às raízes do porquê sou um artista e faço essas coisas, e isso foi legal.

TS: Sim. Posse te fazer uma pergunta?

KA: Sim, claro.

TS: O que é sucesso para você?

KA: Eu gostaria de andar nessa linha fina entre música experimental e pop, e eu tento trazer todos esses tipos de coisas diferentes que me inspiraram e me influenciaram quando eu estava crescendo juntas para fazer algo que faça as pessoas sentirem alguma coisa. Eu só quero animar o maior número de pessoas possível e falar com elas através da minha música, e quero normalizar um monte de coisa que não eram normais onde eu cresci. Eu quero ser esquisito como sou. E espero que isso facilite para que as pessoas se encaixem. Se isso fizer sentido.

TS: Totalmente.

KA: Qual é a parte mais difícil do que você faz?

TS: Ficar longe da minha família e amigos da Austrália. Eu acho que é isso porque de todas as distrações no trabalho e viagem, acho que o fato de nunca ter me dado tempo de aceitar que me mudei para um novo país e nova cidade onde não conhecia muitas pessoas.

KA: Certo.

TS: O motivo de ter te perguntado o que sucesso é para você foi porque eu tive que me perguntar isso muitas vezes. Se eu me colocasse para fora do meu corpo por um pouco de tempo e vesse as loucas oportunidades que eu tive e todas as coisas que estão acontecendo comigo agora, eu ficaria muito, muito empolgado. Mas quando se vive aqui, e está na indústria musical 24 horas por dia, é fácil para as pessoas entrarem na sua cabeça e fazer você achar que quer coisas que na verdade você não quer.

KA: Sim.

TS: Então tenho que me manter humilde e me lembrar do porquê eu faço o que faço e o que sucesso realmente é para mim. Em minha definição de sucesso, na minha cabeça, eu acho que tenho. Sabe, eu acho que cheguei lá, o que é muito louco. Sabe, é difícil às vezes quando me perco nos pensamentos um pouco, e sinto que acabo querendo mais do que tenho ou me comparando com outras pessoas.

KA: Bom, com isso dito… o quão famoso você quer se tornar?

TS: Essa é uma boa pergunta. Estou de verdade muito feliz com meu nível de fama no momento. Acho que posso fazer o que eu quiser. Eu ainda posso ir às compras. Talvez não seja a coisa mais inteligente andar na rua de uma escola às 3 da tarde, quando todo mundo sai. Mas ao mesmo tempo eu posso fazer coisas iradas tipo cantar com Taylor Swift ou coisa assim.

KA: Quando era mais novo, eu sempre quis ser uma das pessoas mais famosas no mundo, e não sei porquê. Talvez seja por que era uma pessoa insegura querendo atenção. Então eu queria ser conhecido pelo meu trabalho e tal. E acho que não quero isso mais. Eu meio que quero ficar sozinho, fazer minhas coisas e lançá-las.

TS: Sim. Eu queria isso quando era criança também. Eu literalmente queria ser igual Michael Jackson ou coisa parecida.

KA: Quando foi a última vez que você chorou?

TS: Eu não choro muito frequentemente. Eu acabei de receber uma visita das minhas melhores amigas da Austrália, e quando foram embora eu chorei.

KA: Você já teve crush em um atleta quando era mais novo? Tipo, na escola?

TS: Na escola, definitivamente. Havia um garoto da minha série em quem eu tinha um pouco de crush, e ele praticava esportes. Mas ao mesmo tempo eu acho que homens masculinos me assustavam muito quando era mais novo. Então eu tentava não me deixar envolver com esse tipo de coisa.

KA: Isso é interessante. Por que você acha que homens masculinos te assustavam?

TS: Porque eu sabia que não era um deles. Eu não entendia completamente. Não sei, era estranho, porque eu não achava legal ficar ao lado das garotas todo o tempo e não queria ser considerado como uma das garotas.
Mas ao mesmo tempo, minha escola era muito pequena e as pessoas te avaliavam em quão bom você era no esporte ou quão inteligente você era nos estudos. E eu não era nenhuma dessas coisas. Eu não era burro, mas eu não era o melhor da sala. E esporte, eu nunca nem tentei. Eu não sabia com quem me conectar. Então acabei me tornando amigo das garotas da minha sala e nunca tive aquele tipo de camaradagem masculina com o resto dos garotos da sala.

KA: Sim. Faz sentido. Última pergunta. Se você se aposentasse hoje, o que você faria amanhã?

TS: Se eu me aposentasse eu entraria em um avião e voltaria para a Austrália. Procuraria por um estágio de design gráfico ou apenas ficaria com minha família por umas semanas até decidir o que fazer.

KA: Ótimo. Obrigado por me deixar fazer essa longa entrevista. Eu gostei.

TS: Imagina, obrigado. Se divirta na turnê. Falo com você em breve.