Troye Sivan é a capa da edição de maio da revista OUT Magazine. Leia a entrevista traduzida:

Às vezes, os artistas definem que não querem falar sobre alguma coisa nas entrevistas, e eles realmente não querem falar sobre aquilo. Algumas vezes eles querem dizer que não vão falar nomes, mas qualquer outra coisa é permitida. Troye Sivan não estava interessado em apontar nomes em particular, mas ele estava mais do que feliz em conversar sobre garotos por um bom tempo no meio de nossa entrevista.

Out: Nós temos que falar sobre garotos. Você tem namorado?
Troye Sivan: Então… [pausa] eu sinto que compartilho tudo sobre mim mesmo. Tipo, tudo mesmo, especialmente na música e tal. Por isso eu sinto que essa é a única coisa que eu deveria manter para mim mesmo.

Ok — mas nos agradecimentos do Blue Neighbourhood você agradeceu o seu “lindo namorado.”
Eu fiz aquilo porque senti que pelo menos era do jeito que queria. São os meus agradecimentos, eu os escrevi. Era importante que eu prestasse homenagem para aquela pessoa e a agradecesse, porque ela foi muito importante para o processo de criação do álbum. Não acho que poderia ter feito o álbum sem ela. Mas sobre definir esse relacionamento, quem essa pessoa é, e tal — acho que estou feliz do jeito que está.

Tive essa conversa com muitas pessoas, e é a capa da Out. Normalmente existem algumas razões para as pessoas não assumirem. As vezes é sobre ser jovem e não saber se aquilo vai durar.
Para mim é assim. Eu nem sei direito o que está acontecendo, então não quero colocar nada no papel. É por isso que me questiono sobre os agradecimentos. Mas também não me importo tanto porque, naquele momento, eu senti que era algo importante a se fazer, acho. Eu apenas ajo assim por ter… vinte anos. Não sei o que está acontecendo. Então nunca tenho certeza sobre definir qualquer coisa em uma revista ou em um CD. Parece-me muito permanente.

O que você procura em um namorado? O que é mais importante para você?
O mais importante pra mim… Eu ia dizer que é ser estimulado, porém isso não soa muito bem. (Risos) Ser bastante mentalmente estimulado pela pessoa. Eu sou muito atraído por pessoas cheias de cultura, que já viram mais filmes que eu e que podem me apresentar novos álbuns que vão me fazer chorar. E que podem me fazer rir. Essa é uma das muitas coisas em minha vida em que tem me feito sentir – isso pode soar terrivelmente estranho- mas eu penso que eu sempre fui um pouco, tipo, diferente de todo mundo. Isso vem, provavelmente, do fato de ser LGBTQ, de não ter gostado muito de esportes quando era criança, e de ser o único da minha escola que assumiu um caminho na indústria de entretenimento. Eu só me sinto um pouco… Eu não quero dizer superior, porque não sou. Eu só me sinto muito diferente. Pensar em achar alguém que é um passo a frente de mim e diferente de mim é algo que não entendo – porque sempre senti que entendia todo mundo, e então entendi que não é assim. Por isso, para mim, a ideia de não entender alguém totalmente e o fato de não entender eles tão rápido e facilmente é atrativo pra mim, e provavelmente vai me manter interessado. Além disso, é melhor se eles forem bonitos, eu acho (risos).

Garotos bonitos, você tem um tipo?
Eu acho que sim, não sei exatamente. É uma daquelas coisas… Eu acho que gosto de garotos bonitos. Não necessariamente… Eu só acho que gosto de garotos bonitos. Garotos bonitos com rostos fofos, eu diria.

Você já teve um namoro sério?
Sim, eu já fiquei, e coisas assim. Acho que faço isso desde, sei lá, 16 anos, e eu diria que talvez já me apaixonei de verdade por duas pessoas.

Como você soube que estava apaixonado por eles?
Eu acredito que é uma daquelas coisas que você sabe no momento que o pânico chega, então você percebe que está acontecendo. No momento que eu começo a ficar inseguro e vulnerável, é o momento que eu começo a dizer pra mim mesmo “ok, é essa pessoa”.

Você já teve seu coração partido?
Sim. Pela primeira pessoa que eu gostei de verdade. Eu era muito ingênuo, e nós dois éramos de mundos completamente diferentes e ele era um pouco mais velho do que eu. Foi uma dessas coisas onde haviam grandes diferenças entre de onde éramos, e mesmo que nós tenhamos nos encontrado na metade um pouco, que foi bem interessante e legal, no final do dia essas coisas terminavam dando conta. Eu só acho que isso não significava tanto pra ele como era para mim. E também ele foi o meu primeiro crush. Eu tinha 16 anos. Eu era apaixonado por tanta coisa. Só acabou não dando certo.

O quanto mais velho estamos falando?
Ele provavelmente tem 3 ou 4 anos a mais que eu.

Eu não tinha percebido o que isso significava para você! Poderiam ter sido 10 anos, 20 anos mais velho. Você disse que gosta de experientes…
Mas eu também fico com um pouco de medo por causa disso, porque eu me sinto jovem e infantil. Então qualquer pessoa que tiver mais de 30 anos… Na verdade não, isso é uma mentira, qualquer pessoa que tiver mais de 31. Eu penso “Por que você está interessado em mim”? Isso é um pouco estranho. Porque eu pareço ter 16 anos.

Calma, qual é a diferença entre 30 anos e 31? É uma pessoa especifica ou é apenas uma regra para você?
A primeira opção. Eu não sei, eu apenas sinto que é algo que eu não esperava e de repente, eu acho, chego no meu limite.

Você já partiu o coração de alguém?
Eu acho que sim.

Como você ficou sabendo? Como você cuidou disso?
É horrível. É a pior coisa no mundo. Eu odeio isso. Essas são as coisas que eu estou aprendendo. Relacionamentos são tão estranhos. A coisa inteira é tão estranha, porque você cuida tanto daquela pessoa e você vira melhor amigo e essas coisas. Depois parece tão abrasivo e brusco para mim que pessoas terminam relacionamentos. Esse conceito. A ideia toda disso. Como alguém que está apenas começando a se aventurar em tentativas de romance, tendo apenas amigos anteriormente. Você não termina o seu relacionamento com seus pais. A menos que você tenha tido uma briga horrível, você não termina seu relacionamento com o seu melhor amigo. É apenas romântico. Isso tem sido uma coisa muito estranha que eu nunca tinha pensado antes. Apenas a natureza de terminar relacionamentos, em geral, pessoas se machucam e isso é algo que estou aprendendo. Você vê isso em filme e coisas do tipo, mas não necessariamente entende. E então você sente isso e isso acontece com você ou você faz isso com alguém. E é uma droga.

Aqui tem uma questão que eu pergunto para todo mundo: Como você descreve sua sexualidade?
É uma pergunta boa. Eu não sei. Eu não quero usar a palavra “gay”… (pausa) Eu diria que… É estranho usar a palavra “divertida”? É estranho?

Não tem nenhum julgamento para as respostas. Eu já tive respostas de todos os tipos.
Divertido é como eu me sinto. Eu me sinto sortudo. Eu me sinto orgulhoso.

O que é divertido nisso?
Divertido é beijar meninos e meninas algumas vezes. Eu acho que a única coisa com que eu realmente me importo é a falta do modelo que me tirava do sério quando era criança, tipo: gays se casam? Gays tem filhos? Os gays tem a mesma idade que os héteros? Meus amigos vão ter namorados e namoradas, se casar, ter crianças – é assim que a vida funciona, especialmente de onde eu sou. Para mim esse molde ou modelo de vida era apenas quebrado. Eu poderia ser solteiro para sempre e ninguém iria olhar estranho. Apenas não tem regras e ninguém sabe o que espera. Eu gosto muito disso, então eu diria que é algo divertido sobre isso também. Não há algo definido. É claro que eu quero achar alguém, mas eu não acho que iria ser extremamente estranho se eu fosse solteiro e tivesse uma criança sozinho, ou se eu achasse alguém e nunca tivesse filhos, isso também é ótimo. Eu aprecio essa instabilidade. Também tem o fato que eu posso beijar meninas e meninos, eu posso fazer o que eu quiser, e ninguém vai olhar de mau jeito para mim. Agora que a verdade está dita, eu posso fazer o que eu quiser.

Confira o photoshoot em HQ para a OUT Magazine:

Acesse a matéria original.